A situação não é favorável para o início da campanha de Lula à reeleição. Seus auxiliares demoram a reconhecer os fatores negativos e a agir de forma coordenada, tanto no governo quanto na política. O grupo carece de um coordenador com influência sobre o presidente.
O que se ouve entre aliados é que Lula tomará todas as decisões importantes no seu próprio tempo. Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se tornando a “CPMI do Lulinha”, a relação com o Congresso piora e a definição sobre cargos no governo e candidaturas apoiadas acontece sem uma direção clara.
Recentemente, Lula se reuniu com os nomes que devem compor sua campanha em São Paulo. Tudo indica que Fernando Haddad disputará o governo do estado. Simone Tebet deve ser a candidata ao Senado apoiada por Lula.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve ser confirmado na chapa à reeleição, pode atuar como coordenador da campanha de Lula e Haddad no estado. Ele seria um contraponto à gestão do governador Tarcísio de Freitas.
Se confirmado, este arranjo seria o início da montagem do quadro de candidatos de Lula em todo o país. Isso é importante em uma eleição que deve ser polarizada e disputada voto a voto.
A oposição já está mais adiantada nas negociações, como mostrou o mapa esboçado por Flávio Bolsonaro. Ainda há discordâncias, mas as conversas na direita começaram há mais tempo.
O ano começou com desgaste na avaliação de Lula, mostrado em pesquisas públicas e internas. Além do episódio do carnaval, a rejeição aumenta com a impressão de que os escândalos do INSS e do Master são de responsabilidade do Executivo.
Este é mais um problema que Lula e sua equipe demoram a resolver. Não se entende por que o presidente, ao voltar de viagem, não se reúne com os presidentes da Câmara e do Senado para tratar dessas questões.
De pouca utilidade pública foi Lula dizer em entrevista que, se o filho tiver de dar explicações sobre o INSS, que dê. A associação de sua família a escândalos passados está presente em parte do eleitorado. Episódios como esse reativam essa imagem.
Subestimar o efeito deste tipo de assunto mostra amadorismo. O senador Davi Alcolumbre já deixou claro que está insatisfeito e quer ser chamado para conversar.
Não se trata de atender a mais demandas do presidente do Congresso, que já tem benefícios no governo. Mas não ter um canal direto de diálogo com a liderança do Legislativo pode ser um erro para um governo sem maioria congressual.
Isso resulta em um cenário onde o Planalto é constantemente pego de surpresa com derrotas. O governo não controla nem a agenda de projetos que pretende defender na campanha, como o fim da jornada 6×1 e a PEC da Segurança.
Esses projetos dependem mais do presidente da Câmara, Hugo Motta, do que de Lula e seus ministros, que estão alheios ao debate.
