Bets: famílias perdem R$ 62,5 bi em 2025, aponta estudo

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, ao longo de 2025. No mesmo período, essas empresas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.
Os dados são da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento). O levantamento usou informações do Banco Central e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae).
O valor de R$ 62,5 bilhões representa o montante líquido das apostas, ou seja, a diferença entre o dinheiro depositado pelos usuários e o total devolvido pelas empresas em prêmios. Segundo o boletim, esse valor equivale a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias.
O estudo aponta que, até meados de 2024, os pagamentos de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação e os valores transferidos de volta por essas empresas permaneciam em níveis próximos. A partir de 2025, porém, os pagamentos ao setor cresceram de forma expressiva, enquanto as devoluções aumentaram em ritmo bem mais moderado.
O documento afirma que o setor passou a absorver um volume alto de recursos das famílias sem devolução proporcional, característica típica dos mercados de apostas, onde apenas parte do valor apostado retorna aos jogadores como premiação.
Os números do boletim são maiores que os registrados pelo Ministério da Fazenda para as casas de apostas autorizadas no país em 2025. Segundo a pasta, a receita das bets legais somou R$ 36,9 bilhões. A diferença entre as duas estimativas é de R$ 25,6 bilhões, cerca de 41% do total calculado pelo Comsefaz.
Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), estima que as bets clandestinas representaram entre 41% e 51% do mercado total. Os levantamentos, porém, não são diretamente comparáveis.
O boletim também analisou o impacto da regulamentação das bets sobre o volume de transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026. Os pesquisadores compararam o volume esperado de transferências sem a mudança provocada pela regulamentação com os valores efetivamente registrados. A diferença foi interpretada como o impacto das bets, mas os autores ressaltam que, por ser uma simulação estatística, o resultado não representa uma relação de causa e efeito comprovada.
O volume médio mensal adicional atribuído às bets foi estimado em R$ 24,1 bilhões. Em 2025, o acumulado chegou a R$ 350,97 bilhões.
O estudo destaca ainda que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em outubro de 2025, provocou uma desaceleração no crescimento das transações. Segundo o boletim, o efeito mensurável da proibição sugere que as famílias de menor renda têm participação relevante no mercado de apostas esportivas online.
O documento conclui que, junto com os altos níveis de endividamento e comprometimento da renda, esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico.
