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Bolsa abre com atraso e dólar sobe com Fed e balanços no radar

Por Entre Notícia · · 5 min de leitura
Bolsa abre com atraso e dólar sobe com Fed e balanços no radar
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A Bolsa brasileira abriu as negociações por volta das 12h45 desta sexta-feira (31), após quase três horas de atraso por problemas operacionais na B3. O dólar operava em alta, com os investidores acompanhando a temporada de balanços corporativos e os indicadores econômicos dos Estados Unidos divulgados na véspera, que reforçaram as expectativas de que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) possa adotar uma política monetária menos restritiva nos próximos meses. Às 13h, a moeda norte-americana subia 0,20%, cotada a R$ 5,072.

A Bolsa deveria ter iniciado as negociações às 10h, mas a B3 informou um atraso na abertura da negociação de ativos. Segundo a Bolsa, os ativos cambiais e os demais ativos permaneceram em leilão até a normalização do sistema. Em comunicado aos clientes, a B3 afirmou que, devido ao atraso no envio dos arquivos e na abertura da Câmara B3, a negociação dos contratos Mini Índice (WIN) e Mini Dólar (WDO) foi postergada, com todos os demais ativos em leilão até a conclusão da disponibilização dos arquivos da clearing para o mercado.

Após a abertura do mercado, o Ibovespa iniciou o pregão em alta de 0,33%, aos 177.745 pontos. Entre os destaques, as ações do Santander Brasil (SANB11) avançavam 12,99% às 13h12, cotadas a R$ 28,53. Na quinta-feira (30), o banco anunciou a intenção de lançar uma oferta pública para adquirir todas as ações em circulação de sua operação brasileira, que representam cerca de 10% do capital social do Santander Brasil. O objetivo é adquirir a totalidade das ações ordinárias, preferenciais e ADSs (American Depositary Shares, ações listadas nos Estados Unidos) em circulação que ainda não pertencem ao Santander, controlador da operação brasileira. A proposta prevê uma oferta de permuta, na qual os acionistas do Santander Brasil receberiam novas ações emitidas pelo Santander global e listadas no Brasil.

Em Wall Street, os principais índices operavam sem direção única nesta sexta, com os investidores repercutindo a temporada de balanços corporativos. Às 11h21, o S&P 500 avançava 0,11%, o Dow Jones caía 0,19% e o Nasdaq recuava 0,20%. Na véspera, o dia foi positivo para as Bolsas norte-americanas, com o Dow Jones subindo 1,19%, o S&P 500 avançando 1,67% e o Nasdaq ganhando 2,78%.

Segundo Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o desempenho dos mercados tem sido impulsionado principalmente pelos resultados corporativos, em especial das empresas de tecnologia. O especialista destaca os balanços de Microsoft e Amazon, que foram impulsionados pelo segmento de computação em nuvem, diretamente ligado aos avanços em inteligência artificial. Para ele, o mercado voltou a demonstrar otimismo com o potencial de crescimento dessas empresas. "Aquele medo que vimos em outros momentos recentes em termos de inteligência artificial deu lugar novamente ao otimismo. É um pouco desse vai e vem que o mercado tem acompanhado", afirma.

Segundo Yamashita, os investidores ainda aguardam os resultados de outras empresas relevantes para o setor de inteligência artificial, como a Nvidia. O mercado também seguirá atento aos próximos indicadores econômicos nos EUA, após a decisão de política monetária anunciada nesta semana. Na última quarta (29), o Fed manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75% pela quinta reunião consecutiva. Em entrevista após a decisão, Kevin Warsh, presidente do Fed, voltou a defender a meta de inflação de 2% e admitiu desconforto com os preços ainda elevados nos EUA. "Não existe uma meta implícita mais branda. Existe apenas uma meta, e ela é de 2%", afirmou.

Para Yamashita, a agenda de resultados corporativos acabou deixando em segundo plano o conflito no Oriente Médio, embora as tensões na região continuem sendo acompanhadas pelos investidores e sustentem a alta dos preços do petróleo. Às 11h25, o barril do Brent era negociado a US$ 88, com alta de 1,29%. Na última quinta-feira (30), após uma pausa de cinco dias, os Estados Unidos voltaram a bombardear diretamente o Irã. A ação foi uma retaliação pelo ataque de Teerã contra forças americanas na Jordânia, ocorrido na quarta (29). O presidente Donald Trump havia antecipado os ataques, assim como sua natureza, horas antes na Casa Branca. "Então agora é nossa vez", disse a repórteres. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, responsável pelo Oriente Médio, os alvos foram centros de comando e instalações de drones da Guarda Revolucionária.

No Brasil, os investidores acompanham o cenário fiscal. A dívida bruta do país subiu mais do que o esperado em junho, quando o setor público consolidado registrou déficit primário acima das expectativas, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta. A dívida pública bruta como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) fechou junho em 81,9%, ante 81% em maio. Já a dívida líquida do setor público passou de 67,9% para 68,5% do PIB.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, os números das contas públicas reforçam a necessidade de cautela por parte dos investidores. "O próprio Banco Central já aponta uma trajetória ascendente para a dívida nos próximos anos. O governo gasta no presente, o mercado recalcula o futuro e o contribuinte descobre que sempre esteve na planilha", afirma. A especialista acrescenta que a queda de 0,77% do IPP (Índice de Preços ao Produtor) em junho, após recuo de 0,30% em maio, trouxe algum alívio para a formação de preços na indústria. Ainda assim, avalia que o debate sobre um corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic mostra que a desinflação, por si só, não elimina a necessidade de disciplina fiscal, especialmente diante da trajetória da dívida pública, da alta dos preços do petróleo e das incertezas eleitorais.

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