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Brasileiros e americanos defendem Pix em audiência nos EUA

Por Entre Notícia · · 3 min de leitura
Brasileiros e americanos defendem Pix em audiência nos EUA
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Especialistas brasileiros e americanos contestaram, em audiência nos Estados Unidos, as críticas do governo Donald Trump ao sistema de pagamentos Pix. O depoimento ocorreu nesta segunda-feira (6) em uma audiência pública do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). O órgão acusa o Banco Central do Brasil de favorecer o Pix de forma injusta em relação a outros meios de pagamento.

O especialista brasileiro em meios de pagamento Vinícius Nunes Pinto abriu seu depoimento contando que encontrou um cheque de um centavo na caixa de correio de sua casa, na Flórida. O selo para enviá-lo custou 74 centavos. Para ele, o caso mostra o problema que sistemas de pagamento instantâneo buscam resolver: processos caros e lentos para movimentar pequenas quantias.

Pinto participou da audiência no âmbito da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O processo resultou na recomendação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Também questiona políticas do Brasil relacionadas ao Pix, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e comércio digital.

Nenhum dos participantes do primeiro dia de audiências apoiou a tese de que o Pix prejudica empresas americanas. Melinda St. Louis, da organização americana de defesa do consumidor Public Citizen, afirmou que o sistema de transações é uma infraestrutura pública digital. Ela comparou o Pix à rede viária, à rede elétrica e à moeda emitida pelo Estado. Segundo ela, empresas dos EUA continuam autorizadas a oferecer serviços de pagamento no Brasil. Ela citou o Google como o maior iniciador de transações no sistema.

Pinto, que participou da implementação do Pix e hoje trabalha no setor de tecnologia nos Estados Unidos, disse que o sistema não foi criado para "escolher vencedores", mas para funcionar como um "trilho" para pagamentos. Segundo ele, a digitalização do mercado brasileiro permitiu que milhões de consumidores passassem a usar serviços de empresas americanas de streaming, comércio eletrônico, transporte e tecnologia.

O especialista também defendeu maior cooperação entre os dois países na área de pagamentos digitais. Ele sugeriu uma futura integração entre o sistema brasileiro e o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos do Federal Reserve. Na visão dele, a interoperabilidade entre os dois sistemas reduziria custos e facilitaria transações comerciais entre empresas americanas e brasileiras.

O economista Gustavo Pessoa também contestou o uso do Pix como fundamento para uma disputa comercial. Para ele, o fato de um Banco Central operar um sistema de pagamentos pode gerar debates sobre governança, mas não justifica a adoção de tarifas. Pessoa propôs que Brasil e Estados Unidos estabeleçam critérios comuns para avaliar sistemas públicos de pagamento e aprofundem o diálogo sobre infraestrutura financeira.

Ao encerrar o depoimento, Pinto voltou ao tema do cheque de um centavo. Ele defendeu uma cooperação entre Estados Unidos e Brasil para conectar sistemas de pagamento instantâneo como o FedNow e o Pix. "Em vez de tarifas, sugiro cooperação e diálogo entre o FedNow e o Pix. Imagine os trilhos conectados, permitindo que uma empresa em Ohio receba instantaneamente de São Paulo", disse.

As audiências continuam nesta terça-feira (7). É esperada a participação do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que prometeu, em vídeo, "defender o Pix".

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