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Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca naturalizar conteúdo adulto

Por Entre Notícia · · 4 min de leitura
Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca naturalizar conteúdo adulto
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O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians tem como objetivo naturalizar a presença de plataformas de conteúdo adulto no dia a dia dos brasileiros. A empresa passou a estampar a marca no uniforme do clube paulista.

Segundo Ongaratto, a estratégia é associar a marca a um ambiente de prestígio. “Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse em entrevista. Ele explicou que o investimento no Corinthians não se justifica por um cálculo de retorno financeiro direto.

A Fatal Fans é uma plataforma de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos produzidos por mulheres, homens e casais. O modelo é semelhante ao do OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação. A plataforma reúne cerca de 30 mil criadores de conteúdo e recebe 7 milhões de visitas por mês.

A Fatal Models, outra plataforma da empresa, reúne perfis de acompanhantes e já patrocinou outros times, como o Vitória. O site tem 30 milhões de acessos mensais e deve faturar R$ 180 milhões em 2026. As transações são feitas diretamente entre usuários e acompanhantes, sem mediação da empresa.

O contrato com o Corinthians é de R$ 22 milhões e vai até 2027. O acordo foi fechado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida está entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O valor deu fôlego ao caixa, mas gerou polêmica sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.

Ongaratto disse que a estratégia pode dar tranquilidade para pessoas que tinham receio de acessar o site. “Pessoas que tinham vontade, mas não tinham coragem de acessar o site por medo de que ele colocasse um vírus no seu computador, tenham tranquilidade para acessá-lo”, afirmou.

Por outro lado, a exposição da marca em um dos maiores clubes do país alcançaria milhões de crianças e adolescentes. Essa preocupação motivou representações ao Ministério Público de São Paulo. Também foram protocolados projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos. As autoras são as deputadas Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

O empresário disse que a propaganda não é direcionada a crianças e que a empresa nunca fez peça publicitária com objetificação do corpo. “A nossa propaganda não é direcionada para criança, não tem sensualização, não é imprópria da forma que está”, defendeu.

Verificação de idade

Ongaratto afirmou que a Fatal Models implantou um sistema de aferição de idade para impedir o acesso de menores de 18 anos. No entanto, uma repórter acessou as duas plataformas sem qualquer verificação etária. Ele explicou que o recurso estava em funcionamento apenas em Maceió.

“Fomos a primeira empresa a implementar esse sistema, em março, quando a lei [do ECA Digital] entrou em vigor. Mas a ANPD informou que a fiscalização dos sites adultos só começaria em janeiro do próximo ano”, disse. A empresa decidiu suspender temporariamente o sistema enquanto aperfeiçoava a ferramenta.

O conteúdo da Fatal Fans é fechado e exige pagamento para acesso. “Na hora do pagamento, há não só a aferição de idade, mas identificação do usuário. E se o usuário for menor de 18, a compra é estornada”, garantiu.

O Corinthians informou, em nota, que se certificou de que a Fatal Fans operava em conformidade com o ECA Digital. O clube disse que não haverá comunicação ativa convidando para o site nem publicidade “com conotação de objetificação ou erotização”.

Ongaratto reconheceu que a repercussão tende a produzir efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade.” Ele também disse que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas para usuários com consumo compulsivo de pornografia. Afirmou que o tema “carece de mais debate dentro da empresa”.

O executivo disse que a empresa trabalha para reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo. “Há quem coloque a mulher que produz conteúdo adulto abaixo da mulher que escolheu como profissão jogar futebol, por exemplo. E não cabe essa comparação”, afirmou.

Ele namora uma produtora de conteúdo adulto e disse que respeitaria a decisão das filhas se elas escolhessem essa profissão. “Eu respeitaria a decisão delas e daria as melhores recomendações possíveis para que elas possam estar nessa profissão da maneira mais segura possível”, concluiu.

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