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Guerra dos botijões: importação da China explode com Gás do Povo

Por Entre Notícia · · 3 min de leitura
Guerra dos botijões: importação da China explode com Gás do Povo
gás de botijap

O aumento nas importações de botijões de gás de cozinha da China, impulsionado pelo programa federal Gás do Povo, gerou uma disputa comercial entre fabricantes nacionais e distribuidoras que trazem o produto do exterior.

As compras de botijões chineses passaram de 29 mil unidades em todo o ano de 2025 para 515 mil apenas no primeiro semestre deste ano, segundo dados oficiais compilados pela Mangels, principal fabricante nacional de botijões.

O setor compra cerca de 2 milhões de botijões por ano para reposição. Com isso, pelo menos um em cada quatro botijões comercializados hoje no país vem da China.

A Mangels pediu ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) que dobre o imposto de importação desses produtos, elevando a tarifa atual de 12,6% para 25%.

O Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) afirma que as compras externas foram necessárias porque a indústria brasileira não consegue responder rapidamente ao aumento da demanda.

A disputa é consequência da reorganização do mercado provocada pelo Gás do Povo. O programa prevê acesso gratuito a botijões de gás de cozinha para cerca de 15 milhões de famílias de baixa renda. Vales são disponibilizados no dia 10 de cada mês para retirar gratuitamente um botijão de 13 kg em revendas credenciadas.

Para suportar a demanda, distribuidoras começaram a reforçar seus estoques e buscar fornecedores.

Meses atrás, o próprio Sindigás defendeu a eliminação temporária da tarifa de importação dos botijões. Agora, diante da explosão das compras na China, a indústria nacional passou a defender a elevação do imposto para atacar o produto importado.

A Mangels diz que há uma distorção de tarifas criada pela política tarifária do governo. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) elevou para 25% a tarifa de importação de chapas de aço e insumos usados na fabricação dos botijões, mas manteve a tarifa dos recipientes de GLP em 12,6%.

Na avaliação da empresa, isso tornou mais vantajoso importar o produto acabado do que produzi-lo no Brasil. O aço responde por cerca de 72% do custo das matérias-primas e aproximadamente 57% do custo total de produção.

A companhia também argumenta que a pressão tende a aumentar devido à capacidade de produção de aço da China. O país asiático produziu 991 milhões de toneladas de aço em 2024, contra 31,5 milhões de toneladas produzidas pelo Brasil.

A Mangels sustenta que não haveria necessidade de recorrer às importações, pois a indústria nacional tem capacidade de fabricar até 8 milhões de botijões por ano.

O presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello, disse que o problema não é falta de capacidade instalada, mas de fazer a entrega no curto prazo. Ele afirma que distribuidoras enfrentaram dificuldades de fornecimento no fim do ano passado e que fabricantes nacionais reduziram entregas programadas.

Mello diz que as distribuidoras pagaram mais caro pelos botijões importados da China devido à necessidade de ter o produto. Ele também rebate a afirmação de que a tarifa de 25% sobre o aço importado justificaria o pedido de elevar o imposto dos botijões.

O Mdic afirmou que o pedido apresentado pela Mangels está em análise técnica. Após essa etapa, o processo será encaminhado ao Comitê de Alterações Tarifárias e depois ao Comitê Executivo de Gestão da Camex, responsável pela decisão final.

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