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Letalidade policial em SP cai 2,4% no 1º semestre

Por Entre Notícia · · 3 min de leitura
Letalidade policial em SP cai 2,4% no 1º semestre
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Policiais das forças de segurança do estado de São Paulo mataram 356 pessoas de janeiro a junho deste ano, conforme dados divulgados pelo governo estadual nesta quinta-feira (30). O número representa uma média superior a 13 mortos por semana no período de seis meses.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, houve nove mortes a menos, o que equivale a uma queda de 2,4% em relação aos 365 mortos registrados naquele período. Os dados consideram ocorrências com policiais civis e militares, tanto em serviço quanto de folga. Casos de folga são contabilizados quando têm ligação com dinâmicas de segurança pública, como agentes que reagem a roubos fora do expediente.

As ocorrências com policiais militares em serviço representam a maior parte do total: 277 dos 356 mortos. Já os casos com PMs de folga deixaram 65 mortos no período.

O estado de São Paulo vive uma tendência de alta da letalidade policial desde 2023, primeiro ano do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foram três anos seguidos de aumento no número de mortos pela polícia, marcados principalmente por operações na Baixada Santista em resposta a assassinatos de PMs, iniciadas em julho de 2023.

A Polícia Militar teve nove mortos no primeiro semestre deste ano, um a mais do que no mesmo período de 2025. Entre os PMs mortos neste ano, cinco estavam em serviço e quatro de folga. As forças de segurança como um todo tiveram redução no número de mortos, já que a Polícia Civil passou o semestre sem baixas em seus quadros. No mesmo período do ano passado, quatro policiais civis haviam sido mortos, três deles em serviço.

Casos de suspeita de má conduta

Parte das mortes em intervenção policial no primeiro semestre é alvo de suspeitas de má conduta. Na madrugada de 3 de abril, uma soldado recém-formada agrediu e atirou contra uma mulher de 31 anos em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, durante uma discussão iniciada pelos policiais.

Thawanna da Silva Salmázio, mãe de cinco filhos, foi baleada após uma viatura da PM avançar em direção a ela e ao marido enquanto caminhavam na rua. Segundo testemunhas e imagens de câmeras, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, 21, desceu do carro, chutou a virilha de Thawanna e, diante da reação, sacou a arma e atirou no tórax dela.

Em 29 de abril, um PM atirou sete vezes contra um homem que segurava um facão e havia acabado de se envolver em uma briga de trânsito no bairro Jaraguá, na zona norte da capital. A câmera corporal registrou que, segundos antes dos disparos, o policial disse ao colega: "Peraí que eu vou matar ele. Vou dar tiro". O agressor estava parado e a vários metros de distância quando foi atingido.

Na comparação com o período de janeiro de 2019 a julho de 2022, quando o estado foi governado por João Doria e Rodrigo Garcia, ambos então no PSDB, o governo Tarcísio teve 44 casos de morte em intervenção policial a mais, uma diferença de 1,8%.

Doria assumiu durante um dos picos de letalidade policial da série histórica. O número de mortos por policiais passou a cair com a implantação do programa de câmeras corporais e outras políticas de mitigação da violência. Hoje, as câmeras usadas pelos PMs dependem de acionamento pelo próprio policial ou pelo centro de operações, diferente do modelo anterior, que gravava de forma ininterrupta durante o turno.

Queda nos homicídios

Os homicídios dolosos tiveram queda no primeiro semestre deste ano. O estado registrou 1.149 ocorrências desse tipo de crime de janeiro a junho, uma redução de 7,3%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2001.

Os dados foram divulgados apenas por notas à imprensa na quinta-feira, procedimento que foge ao padrão dos últimos anos. Parte das informações trimestrais foi publicada no Diário Oficial do Estado. Até as 13h de sexta, a secretaria não havia divulgado o número de vítimas de homicídios dolosos, apenas a quantidade de registros. O número de vítimas costuma ser maior, pois há casos com mais de uma pessoa morta.

Os assassinatos caíram ao longo de toda a gestão Tarcísio, tendência que se mantém desde 2013. Nesse período, houve aumento apenas em 2020 e 2022.

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