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Trump: Venezuela não está pronta para eleições, 8 meses após captura de Maduro

Por Entre Notícia · · 3 min de leitura
Trump: Venezuela não está pronta para eleições, 8 meses após captura de Maduro
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (24) que a Venezuela ainda não está pronta para eleições. A declaração afasta as expectativas de uma normalidade democrática após o ataque de Washington a Caracas para prender o ditador Nicolás Maduro, em janeiro.

"Eles ainda não estão prontos para [as eleições], mas muito progresso foi feito", disse o republicano a jornalistas na Casa Branca. Em seguida, ele elogiou a líder interina, Delcy Rodríguez, número dois do regime que assumiu o poder após a deposição do ditador. "Delcy está fazendo um trabalho fantástico, como vocês sabem."

Trump também elogiou a produção de petróleo da Venezuela. "A quantidade de petróleo que está saindo da Venezuela neste momento, mesmo antes de todas as grandes empresas começarem a operar lá… É um território muito fértil", afirmou. Ele continuou: "A quantidade de lucro que os venezuelanos estão tendo, muito mais do que jamais tiveram. E estamos pegando bastante também por nossos esforços. O petróleo está sendo enviado para Houston [cidade no Texas, nos EUA] e para [o estado americano de] Louisiana para ser refinado. [Com isso,] já pagamos pela guerra muitas vezes".

Após a intervenção americana, o regime libertou centenas de presos políticos e anunciou o fechamento do Helicóide, centro de tortura que virou símbolo da repressão no país. Apesar disso, outras centenas de pessoas continuam presas sem julgamento justo, de acordo com organizações de direitos humanos, e dezenas foram presas desde então.

Em março, um relatório da missão de investigação da ONU a respeito da Venezuela apontou que "as estruturas institucionais que facilitam as violações dos direitos humanos não foram desmanteladas" no país. "Não se pode dizer que a Venezuela esteja verdadeiramente no caminho da reforma dos direitos humanos enquanto esse aparato repressivo não for desmantelado", disse na ocasião a advogada Maria Eloisa Quintero, que representava o grupo.

Se houve algo que mudou, foi o aumento do capital dos EUA no petróleo do país, que tem as maiores reservas da commodity no mundo. Desde a queda de Maduro, a americana Chevron, uma das maiores empresas de energia do mundo, ampliou seu investimento na Venezuela. "Este não é um investimento passageiro ou temporário", afirmou Delcy em abril, quando anunciou novos acordos com a multinacional. "Este acordo nos permitirá avançar de forma significativa na produção, e a receita gerada por essa produção beneficiará diretamente o povo venezuelano", continuou.

A declaração de Trump é mais um balde de água fria na oposição venezuelana, que, de acordo com instituições independentes, foi vítima de uma fraude nas eleições de 2024, que reconduziram Maduro ao poder pela terceira vez. Após a captura do ditador, a líder opositora María Corina Machado falou em transferir o poder a Edmundo González, seu aliado e provável vencedor do pleito de dois anos atrás, o que foi desencorajado pelo republicano.

"Seria muito difícil para ela, que não tem o suporte ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem o respeito", disse Trump -que, mesmo assim, recebeu de presente da venezuelana, dias depois, a medalha do Nobel da Paz que ela havia recebido no ano anterior. A líder opositora, que deixou o país após o aumento da repressão desencadeada pela eleição de 2024, continua tentando articular a oposição à distância. Após os terremotos que atingiram a Venezuela há um mês, ela chegou a planejar seu retorno, mas recuou.

Nesta sexta, ela se manifestou a respeito da tragédia que matou ao menos 5.398 pessoas, de acordo com números oficiais, mas que pode chegar a dezenas de milhares de mortos. "Hoje é um momento para nos apoiarmos mutuamente, para cuidarmos uns dos outros, porque há algo que nenhuma tragédia pode tirar: nossa capacidade de nos abraçarmos, de nos acompanharmos, de nos reerguermos juntos", escreveu em suas redes sociais. Na véspera, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a líder poderia "ter um papel" na reconciliação do país. "Em última análise, para que a Venezuela alcance a reconciliação necessária para avançar, todos os segmentos da sociedade venezuelana precisam estar representados e, obviamente, María Corina Machado representa um elemento importante", disse.

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