Notícias em tempo realquinta-feira, 23 de julho de 2026
Entre Notícia
Notícias, entretenimento e cultura atualizadas o dia todo
Notícias

Áudios revelam propina para policiais acobertarem o PCC

Por Entre Notícia · · 2 min de leitura
Áudios revelam propina para policiais acobertarem o PCC
cameras uniformes de policiais militares sao paulo

Áudios encontrados no celular de Cléber Azevedo dos Santos, apontado como "companheiro" do PCC e alvo das Operações Recidere, Bazaar e Janus, revelam uma rede de pagamento de propinas para policiais em São Paulo. O esquema era mantido por um grupo de lavagem de dinheiro operado por alguns dos maiores doleiros do país.

A Polícia Federal repassou 59 áudios ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo. Com base nesse material, o Gaeco, a PF e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram em março a Operação Bazaar, que investiga um esquema de corrupção "sistêmico" e lavagem de dinheiro. A ação envolveu quatro delegacias e uma divisão de três departamentos da Polícia Civil paulista.

Na ocasião, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de prisão e seis de intimação. Os alvos incluíram integrantes da organização criminosa, advogados e policiais. As provas também ajudaram a compor a Operação Janus, que resultou na decretação de prisão de 18 acusados. Onze deles foram capturados na terça-feira e outros dois já estavam presos.

Segundo o Gaeco, os áudios mostram de forma clara a atuação dos investigados como agentes de promoção e financiamento da facção. Parte dos interlocutores são integrantes e lideranças efetivas do PCC. O Estadão teve acesso a algumas dessas conversas.

Em um dos áudios, o advogado Guilherme Sacomano Nasser teria oferecido vantagem indevida de R$ 100 mil a policiais para obstar investigações contra empresas ligadas ao grupo criminoso. A propina foi oferecida aos policiais José Eduardo da Silva e Ciro Borges de Magalhães Ferraz. De acordo com o Gaeco, os agentes deixaram de apurar condutas ilícitas identificadas em relatórios de inteligência financeira do Coaf. O Estadão não conseguiu contato com Nasser e com a defesa dos outros citados.

Relações com a cúpula da PM

A Operação Janus também reuniu indícios de que os operadores financeiros do PCC mantinham relações de proximidade com coronéis da antiga cúpula da Polícia Militar de São Paulo. São citados Luiz Carlos Pereira Martins e José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e da Rota, além de um terceiro identificado como "Patrício". O comando da PM afirmou que participou da operação com o Ministério Público.

José Augusto Coutinho pediu demissão e foi exonerado do cargo em 16 de abril, após reunião com o governador Tarcísio de Freitas. A saída ocorreu depois de um depoimento do promotor Lincoln Gakiya à Corregedoria da PM, no qual ele afirmou ter levado a Coutinho um áudio que comprovava que PMs da Rota haviam vendido informações ao PCC. Segundo Gakiya, Coutinho não tomou providências. O Estadão pediu manifestação dos coronéis, que não foram alvo da operação.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também