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Eleições no DF: seis candidatos e crise do BRB em jogo

Por Entre Notícia · · 4 min de leitura
Eleições no DF: seis candidatos e crise do BRB em jogo
visita governadora celina leão ao jbr 5

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal tem seis candidatos na disputa pelo governo. Entre os nomes lançados estão a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

Apesar das candidaturas definidas, o cenário eleitoral ainda pode mudar até outubro. A crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de alguns candidatos e a divisão no campo progressista são fatores que devem influenciar a percepção do eleitorado nos próximos meses.

Celina Leão começa a disputa com vantagens por ocupar o cargo. Ela tem mais visibilidade, pode apresentar as realizações administrativas desde que assumiu e conta com o apoio da estrutura política construída pelo antecessor Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, herdou o desgaste da gestão, principalmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra com capital eleitoral expressivo e identidade política consolidada. A candidatura aparece como alternativa no campo conservador e pode ser um dos principais concorrentes de Celina. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica complicada que deve ser decisiva.

No campo progressista, há um racha. O PT lançou Grass, que aparece como o candidato mais competitivo da esquerda, mas enfrenta a concorrência de Cappelli. Caputo e Belmonte, mais ligados ao centro, se apresentam como alternativas à polarização.

Crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após as fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master e um prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo na instituição.

O prazo para a divulgação do balanço anual venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com reguladores. Para recuperar o banco, Celina fechou um acordo no STF que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo ainda não teve resultados efetivos e não há previsão de quando os recursos entrarão no caixa da instituição.

Para o mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, a condição do banco deve permear as discussões durante as campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina será pressionada a explicar por que uma solução anunciada ainda não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Uma possível liquidação teria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes”, explica Castro.

O cientista político avalia que seria plausível uma queda nas intenções de voto de Celina. O impacto depende de elementos como a proximidade do episódio em relação à eleição, a existência de perdas para correntistas e para o Tesouro distrital e a capacidade da oposição de converter a crise em responsabilização política. Uma atuação transparente, com divulgação de dados, poderia limitar os danos. Uma postura defensiva tenderia a ampliar o desgaste.

Arruda e a Ficha Limpa

Arruda estava inelegível desde 2014 por causa de um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora, de 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.

O STF tem analisado os casos dos políticos enquadrados na norma. O julgamento estava suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Suprema Corte pode comprometer a candidatura.

Segundo Castro, uma eventual retirada de Arruda reconfiguraria o cenário político. “Ele representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações”, avalia. Para o cientista político, Celina seria a principal beneficiária da ausência de Arruda, pois parte dos eleitores dele migraria os votos para a governadora. Essa transferência, porém, não seria automática nem integral, já que alguns eleitores podem adotar uma postura de protesto.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli revela dificuldade de unidade na esquerda. Ambos disputam uma faixa semelhante do eleitorado e procuram vincular suas candidaturas ao projeto nacional de centro-esquerda. A divisão impede que o campo progressista concentre votos para chegar ao segundo turno. Duas candidaturas também significam divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários.

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