Pedidos de certidão brasileira nos EUA disparam 271%

Os 11 consulados-gerais do Brasil nos Estados Unidos registraram um número recorde de pedidos de certidão de nascimento para filhos de brasileiros nascidos no país. No ano passado, foram mais de 21 mil solicitações, contra 5.660 em 2021. O aumento foi observado em todas as unidades consulares em 2025.
O principal motivo apontado para a alta é a política de imigração do governo de Donald Trump. A obrigatoriedade de visto para americanos viajarem ao Brasil, em vigor desde abril de 2025, também contribuiu para a procura.
Um caso que ilustra a situação é o de uma mãe de trigêmeas nascidas em Boston. Ela voltou ao Brasil após o marido ser detido pela imigração em janeiro e deportado. Com um pedido de visto de trabalho pendente, ela conseguiu as certidões de nascimento das filhas e os passaportes em regime de urgência no consulado para manter a família unida.
Muitos pais também buscam o documento por medo de que, se forem detidos pelo ICE, seus filhos fiquem em abrigos nos EUA. Essa prática de separação de famílias foi comum no primeiro mandato de Trump (2017-2021). No segundo mandato, há relatos de casos semelhantes, embora em menor escala, e o governo não assuma a medida como política oficial. O Brasil não recebeu relatos de casos envolvendo brasileiros.
Há ainda quem solicite a certidão para que a criança possa viajar ao Brasil sem a necessidade de visto americano. Os consulados de Boston, Nova York e Miami foram os que mais receberam pedidos, com crescimentos de 551%, 339% e 119% de 2021 a 2025, respectivamente. No total, o aumento foi de 271% no período.
O processo de registro em um consulado é gratuito. Quando feito em cartório no Brasil, há custos com apostilamento e traduções. Além disso, ao completar 18 anos, a pessoa precisa confirmar a nacionalidade brasileira perante a Justiça, um procedimento simples, mas que costuma ser esquecido.
Desde janeiro de 2025, ao menos 5.000 brasileiros foram deportados dos EUA em 63 voos. Entre eles, 164 eram menores de idade, a maioria crianças que viajaram com os pais deportados. Segundo o Ministério de Direitos Humanos, essas crianças chegam com documentos americanos e são encaminhadas para tirar a documentação brasileira. Nove adolescentes deportados sozinhos foram enviados para casas de familiares no Brasil.

