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Debate no DF: candidatos se unem contra Celina Leão

Por Entre Notícia · · 4 min de leitura
Debate no DF: candidatos se unem contra Celina Leão
Foto: Olavo David/Jornal de Brasília

Os candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) participaram neste domingo (9) do primeiro debate das Eleições 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. O encontro marcou o início da disputa pelas propostas que buscam conquistar o eleitorado no pleito de 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro. Participaram do debate Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Capelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). Os convites foram distribuídos conforme a representação dos partidos no Congresso Nacional.

A tônica do encontro foi a união de vários candidatos para questionar Celina Leão. A governadora abriu o debate dizendo que "herdou" a crise do BRB e outros problemas do governo Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, como a queda no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e as filas para cirurgias eletivas. Ricardo Capelli (PSB) e José Roberto Arruda (PSD) focaram na gestão da Saúde, enquanto Grass buscou o tema da Educação, por ser professor.

No primeiro intervalo, assessores de Grass e Capelli comemoraram a união contra a atual governadora. Membros do PSB, no entanto, disseram que o candidato se descuidou do tempo e abriu flancos, como quando Kiko Caputo (Novo) criticou o que chamou de "roubalheira da Esquerda". O pessebista voltou a falar da Saúde e esgotou seu tempo, enquanto Caputo usou quase dois minutos para criticar o governo federal e exaltar o trabalho de Romeu Zena em Minas Gerais. No campo de Arruda, a avaliação era positiva. "Ele está jogando com a bola no pé", comentou um líder pessedista.

Arruda e Caputo também trataram de mobilidade urbana. O ex-governador lembrou que construiu as últimas expansões do metrô e prometeu quatro novas linhas de trilhos. Caputo prometeu outras Estradas-Parque para conectar o Plano Piloto a Planaltina e à saída norte. Celina, alvo de todos, passou a maior parte do tempo se defendendo e exaltou os programas contra a violência doméstica e de gênero, em embate com Paula Belmonte.

No último bloco, Celina, em novo embate com Belmonte, disse que não interferia na atuação dos parlamentares de sua base na Câmara Legislativa. Questionada, passou a atacar a gestão anterior. "Eu estou sozinha tentando salvar um banco, eu sou corajosa mesmo", afirmou. "Nenhum dos candidatos aqui veio ajudar, nem os que têm entrada no governo federal", completou, declarando que não tem "nada a ver" com o escândalo do BRB e que seu contato "não consta na agenda de Daniel Vorcaro".

A governadora também selou o rompimento com o ex-governador em embate com Caputo, que é advogado. "A última vez que elegemos um ex-presidente da OAB nós vimos o que aconteceu. Nunca mais o povo do Distrito Federal vai eleger alguém da OAB", disse, em referência ao antecessor. A Segurança Pública só foi tema no final, quando Capelli questionou Grass sobre as propostas. "Não adianta colocar câmeras corporais se não tem gente para monitorar", comentou o petista. "É preciso investir em integração entre as polícias, em inteligência", completou. Capelli prometeu aumento de efetivo e a volta das duplas de ronda, os "Cosme e Damião".

Em sua última resposta, Capelli sinalizou apoio a Arruda. "Eu defendo seu direito de ser candidato, Arruda", disse, citando uma suposta conversa de assessores de Celina para "tirar o ex-governador da disputa". "Já tiraram o Reguffe da última campanha numa manobra partidária, não quero que isso aconteça com o senhor", completou. Arruda respondeu com ironia, dizendo a Celina que defende o direito de candidatura dela "apesar da Operação Drácon".

Ao fim do debate, Celina Leão se recusou a falar sobre o rompimento com Ibaneis, mas considerou "normal" a união de esforços para colocá-la na parede. "Faz parte do jogo. Eles querem me atrelar a um governo do qual eu não fiz parte", declarou. "Agora, querem falar de BRB sendo que ninguém se movimentou para salvar o banco, o candidato do PT não foi capaz de falar com o presidente Lula para mediar uma ajuda federal", completou. Sobre o balanço da instituição, disse "não haver sentido soltar o balanço sem o empréstimo".

Kiko Caputo disse não ter visto agressão de Celina à OAB. "Não, ela só quer se distanciar do governo do qual ela era vice-governadora", pontuou. Leandro Grass considerou natural as tabelinhas contra Celina, mas garantiu que não houve acordo. "Cada um traz as suas propostas e apresenta ao público. Foi um bom debate e quem assistiu teve uma boa ideia de quais são as posições dos candidatos", declarou, acrescentando que deu destaque para a Educação por ser sua área.

Ricardo Capelli disse estar "honrado" por ser alvo dos contra-ataques da governadora. "É sinal de que estamos incomodando", sorriu. Arruda voltou a classificar a titular do Buriti como "camaleoa" por, segundo ele, frequentar diversos governos, mas "abandonar o barco quando aperta". "Eu me solidarizo com o ex-governador Ibaneis, porque na política é preciso ter lealdade", completou. Paula Belmonte negou ataques coordenados e garantiu que houve apenas "questionamentos sobre um governo falido". Ela celebrou "o primeiro debate da vida" e disse estar confiante para os próximos embates.

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