Notícias em tempo realsexta-feira, 19 de junho de 2026
Entre Notícia
Notícias, entretenimento e cultura atualizadas o dia todo
Notícias

Meloni nega ter implorado por foto com Trump

Por Entre Notícia · · 3 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, "implorou" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7. A declaração foi feita em entrevista a uma TV italiana. Meloni negou a versão e classificou as falas como "completamente inventadas". A premiê disse estar "surpresa" com a história e repreendeu Trump por atacar aliados.

A relação entre os dois, que antes eram aliados próximos, começou a se deteriorar em abril. Meloni criticou Trump depois que ele chamou o papa Leão XIV de "fraco" por condenar a guerra no Irã. "Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra", afirmou a premiê.

Trump respondeu no dia seguinte, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera. Ele disse estar "chocado" com a postura de Meloni e afirmou acreditar que ela não tinha coragem. "Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país", declarou.

Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times avaliam que Meloni aproveitou o momento para sinalizar ao público interno um afastamento de Trump. Pesquisas indicam aumento da impopularidade de ambos entre eleitores italianos. O distanciamento começou meses antes, quando Trump anunciou tarifas comerciais contra aliados europeus, em abril do ano passado.

Aproximação e distanciamento

Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais próximas de Trump. Os dois compartilhavam posições semelhantes em temas como combate à imigração ilegal e críticas a agendas progressistas. A aproximação começou antes de Meloni chegar ao poder. Em 2018, ela recebeu o ex-conselheiro de Trump Stephen Bannon em uma conferência conservadora na Itália. No ano seguinte, participou de um evento conservador nos Estados Unidos e discursou no mesmo dia que Trump.

Quando Trump retornou à Casa Branca, em 2025, Meloni foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse. A premiê elogiava com frequência as políticas do republicano e passou a ser vista como um nome de confiança dos EUA na Europa. O clima começou a mudar com as tarifas comerciais, mas ainda assim ela viajou a Washington e se reuniu com Trump na Casa Branca.

Em outubro, os dois protagonizaram um momento inusitado durante um evento no Egito. Trump disse que "assumiria o risco" de chamar Meloni de bonita. "Você não vai se ofender se eu disser que você é linda, vai? Porque você é", afirmou. A premiê sorriu e manteve o bom humor. Em outros momentos do evento, porém, ela aparentou estar entediada.

A relação ganhou novos contornos em janeiro, quando Trump defendeu a anexação da Groenlândia. Meloni tentou se equilibrar entre um tom conciliador e outro mais firme. Em fevereiro, quando os EUA atacaram o Irã com Israel, a Itália foi surpreendida. O ministro da Defesa italiano estava de férias e precisou ser resgatado em um jato militar. A oposição criticou a falta de aviso prévio.

Pesquisas apontaram que os italianos não apoiavam a ofensiva norte-americana. A guerra fez os preços de gás e energia subirem no país. Meloni passou a condenar o conflito, afirmou que a Itália não participaria da guerra e se recusou a permitir que caças dos EUA utilizassem uma base aérea na Sicília. Ainda assim, a premiê foi derrotada em um referendo sobre reforma judicial.

Na terça-feira, Meloni anunciou que a Itália não renovaria um acordo de defesa com Israel. A medida foi adotada após disparos de advertência atingirem um comboio italiano no sul do Líbano. Analistas ouvidos pela Associated Press afirmam que a decisão foi motivada mais pela política interna do que por uma mudança estratégica.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também